quinta-feira, 17 de junho de 2010

Uma reflexão sobre os meios de Comunicação e a Sociedade


Durante muitos anos lutou-se por aquilo que se achava indispensável à vida em sociedade, desde os direitos das crianças aos das mulheres, desde o direito à escolaridade gratuita, passando também pela luta pelo direito à liberdade de imprensa. Lutou-se e conseguiu-se. Nem sempre as lutas foram vencidas e nem sempre aquilo que se conquistou durou todo o tempo: é o caso do direito à liberdade de imprensa.
Digo, como diz uma pessoal normal: “Tudo bem, eles que escrevam e digam o que quiserem, desde que não me incomodem.”. Pois é, é por muitos de nós pensarmos assim que vivemos numa sociedade de oprimidos e sofridos, numa sociedade que olha para a estupidez com um brilho nos olhos. E no meio disto tudo onde fica o mérito? Onde fica o esforço que deve ser valorizado? Em parte alguma! Mas voltando ao direito à liberdade de imprensa, um dos princípios básicos da liberdade, seja ela de que tipo for, é que a minha liberdade termina onde começa a do outro. Não será que todos nós nos esquecemos deste valor tão importante?, pois é, esquecemos e muitas vezes invadimos a liberdade alheia, roubamo-la como se fosse algo inútil a quem fica sem ela. E isto é o que nós fazemos e o que os meios de comunicação fazem todos os dias, a toda a hora e a cada minuto.
“Tudo bem eles que escrevam e digam o que quiserem”, mas alto lá, a partir do momento em que invadem e exploram a liberdade dos outros, já não estão a usufruir do direito por que tanto lutaram, o direito à liberdade, em vez disso estão a tirar esse mesmo direito, e pior, estão a tirar o direito à privacidade e o direito à opinião e à formulação de ideias próprias dos outros.
Mas será que os meios de comunicação são necessariamente manipuladores?
Acho que não, todos temos de lutar para sobreviver neste mundo contemporâneo, e, na minha opinião, é apenas isso que os meios de comunicação tentam fazer. Eles não têm como objectivo manipular, mas se existe um estereótipo na sociedade, para que os meios de comunicação “sobrevivam” a esta selva onde o que vence é o que tem mais poder e mais força (que é como quem diz, mais cunhas), tem de seguir esse mesmo estereótipo e fazer passá-lo nas suas informações, acabando por influenciar e como que empurrar os cidadãos a aceitar esse cliché, sem sequer pestanejar, criando como que um ciclo vicioso.


Então e os jovens? E principalmente, então e as crianças? Os adultos estão tão preocupados com os seus umbigos, e como os hão-de enfeitar que nem sequer param para pensar nas crianças e nos jovens, e aqueles que param são uma minoria e bem mais de metade dessa minoria apenas diz: “E estamos nós a educar desta forma os Homens de amanhã”, os outros até podem tentar fazer alguma coisa, mas são uma minoria, e neste mundo não se dá ouvidos às minorias, o que é também um grande erro.
À medida que o tempo passa, o amanhã está mais próximo e nada continua a ser feito. E podiam os meios de comunicação ajudar? Podiam, mas não o fazem, não o fazem porque em vez de promoverem a expressão e do diálogo criativo, como seriam um dos seus papeis, criam um ciclo vicioso de estereótipos sociais que de mais nada servem se não para formar robôs.
            Os media, cada vez mais derrubam a barreira de limites entre o privado e o público, todos os dias sem sequer nos darmos conta eles entram e invadem sem licença a nossa privacidade, ocupam o nosso, tão precioso e escasso, tempo, alteram e transformam a nossa opinião, porque acreditamos piedosamente no eles nos dizem, roubam-nos o espírito crítico e dominam as nossas crenças e as nossas convicções. “Os meios de comunicação estão, a passo rápido, a alterar uma sociedade humana e a fabricar uma sociedade predominantemente robótica e automática”. Será que mesmo assim vamos continuar a deixar as nossas crianças e os nossos jovens “indefesos e soltos” prontos para serem “agarrados” pelos meios de comunicação? Queremos um futuro robótico, cheio de pessoas pobres de espírito e de conhecimento que a única coisa que vão saber falar é sobre o tempo, ou nem isso? Queremos nós deixar o mundo à mercê do destino, ou queremos ser nós a pegar na caneta e a escrever esse destino na certeza de que estamos a escrever um futuro risonho?
A maioria das pessoas continua a achar que somos livres, mas seremos nós verdadeiramente livres?
A liberdade dos meios de comunicação excedeu a barreira tolerável, e a única coisa que nós fazemos é olharmos para isso e pensar: “Não vale a pena fazer nada”, e deixamos os Homens de amanhã “soltos” nesses meios, esquecendo-nos que amanhã será tarde de mais para voltar atrás.
E é esta a sociedade onde vivemos, uma sociedade que promove a estupidez e aplaude de pé a incompetência e a imbecilidade.
Temos de abrir os olhos e ver o mundo de outra forma, temos de cada vez mais buscar o conhecimento, não porque necessitamos dele, mas porque o queremos, porque, não queremos vir a pertencer à sociedade robótica e automática, temos de procurar a excelência e lutar para sermos cada vez melhores, e não olharmos para os pobres e medíocres exemplos que temos na nossa sociedade e pensarmos que tudo é fácil e que tudo o que queremos nos cai no colo de pára-quedas, porque não cai. Podemos até esperar, mas não vale a pena, temos de lutar por aquilo que queremos e principalmente lutar por um futuro melhor, temos de ter coragem e audácia para agarrar na caneta e escrever o futuro do nosso mundo.
 Somos os Homens de amanhã e vamos conseguir fazer deste mundo um mundo melhor, vamos conseguir fazê-lo, porque somos ousados, e ousamos contrariar os estereótipos que nos tentam incutir, e que mais nada fazem se não transformar-nos em robôs, porque ousamos pensar com a nossa cabeça e não com a “cabeça” dos meios de comunicação e porque ousamos ser NÓS, para fazer um mundo melhor.

Texto retirado do meu trabalho final de Filosofia deste ano (09/10)

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